SINFONIA DO CAOS

Publicado em 2016 o livro Sinfonia do Caos é o primeiro livro de Felipe Turner. Os 49 poemas que compõem a obra abordam as diversas formas do Caos na esfera cósmica, social e individual que através de uma ótica instigante e reformuladora enlaçam suas diferentes manifestações nesta sinfonia de versos escritos em diferentes fases do autor, sendo desde um prematuro câncer aos 15 anos, suas experiências com os estudos misticos, artes e música e os intensos amores adolescentes.

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        SINFONIA DO CAOS

 

Ainda tenho um grande passado pela frente

Quando meu eixo torna-se axioma

O ranger de dentes da intempérie torna música

E deixo formar a harmonia

Mas quem é o Maestro?

Quem é esse que sabe como a música toca?

A harmonia do caos em procela

É o que buscam os destros

Angelicalmente gélidos

No compasso do tédio

Mesmo assim o relógio gira

Gira como um bêbado, gira como criança

Mas quem sabe a dança?

           CALDEIRA DOS CLONES

 

A morte é a revolução dos micróbios

Sobre o poder do corpo

O golpe de estado dos sentidos

Que afogam nossa soberania

No rio da transformação

Segue o fluxo do Lete

Esquecimento e redenção

No lago onde desaguam os seres liquidados

É o ventre da próxima gestão

Caldeira onde se forjam novos mundos

Big Bang que faz dos verbos a carne

Expandindo em clones o maquinário

Da matriz dos seres em códigos binários

                    CINZEIRO CÓSMICO

 

Olha como as ondas caminham

Vagando no sem fim Led Zeppelin tocou em Netuno

Tritões surfam no delay do tempo

Enquanto a luz jorra do Sol viril

Sorrisos derretem dos sorvetes efêmeros

Eu... Cravo os dentes

Nosso universo desmembra-se

Nuvens esparsas se beijão e vão

Tudo é tão diferente

Como sempre tem de ser

A vida é uma bike descendo a serra

Rápida, livre, fatal

É o que basta

O trago que matou a vontade

Gira o Sol no cinzeiro cósmico

            HERMETISMO DA MATA

 

Já ouviu a música que a mata toca a noite?

Os tempos e suas divisões

Na harmonia do caos

São as cordas vocais da natureza

Cantando a voz geral

Gerando o ar que alimenta a todo instante

E não pede nada em troca

Flui a transa dos elementos

Nessa química que rola livre

Orgia de carbono e água

No laboratório do carbonário

É dada toda a vida

Que o oxi-Gênio anima

Oxida o carmim  do ferro sanguíneo

Das ferramentas do organismo Mundo

PRIMAVERA FLORESCENTE

 

Flores nascem no campo elétrico

Colorem o mosaico de carbono

Vivas lâmpadas ao anoitecer

Regadas pelo condutor de raios

Formando o arco-íris de suas pétalas

Detonando o perfume atômico

A bomba H de harmonia na guerra da simetria

Declarada a cada primavera

Os rulos das asas das abelhas

Acompanham a canção do mel

Essência da adolescência do tempo

Ouro que come e sacia

Florescentes meus olhos

Primavera vem a mim

TEMPLÁRIO DAS ERAS

 

Nuvens dançam alucinadas para o Sol

Leão do sacrifício diário

Nuvens de lacrimogênio emociona a multidão

Mulheres pintam garras e rostos

Para errante guerra dos instantes insanos

Eras sacerdotisas do tempo na orgia da eternidade

Que desce a terra a corromper os mortais

Eternizados em livros de bolso e marcas de roupas

O que muito quero é vontade de Eros

O que muito é teu é sonho de Orfeu

O moderno está se mordendo

A árvore nasceu do anjo apodrecido

Arbusto de eternidade de tenra idade

Os minutos caminham impacientes nos círculos

Sacrificam a existência na jornada

Como um jogo viciante, viciante é existir

Como amor a heroína é o amor à vida

Que foge para deitar-se com a morte

VALE

 

Ela mora no vale onde o Sol passeia

Sinos místicos descansam

Na mesa um esquadro

Nos ouvidos um compasso

Gira o corpo quatro por quatro

O espaço move na órbita de teus quadris

Bamboleia o equilíbrio na manobra aérea

Nos braços e dança onde o corpo sedoso enrijece

Bebo da boca do cristal

As pérolas mordem a língua em transe

Enquanto o sol se esconde

Enquanto dorme o Astro Lógico

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© 2019 por Felipe Turner